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A fruta que sonhava
Todo dia ela olhava pro chão e sonhava. Pensava na maciez das folhas de outono, feitas em tapete lá embaixo, de aparência macia. Via o baile das folhas que rodopiavam quando o vento lhes acariciava suavemente, numa espécie de balé tentador, lindo. Olhava de cima, presa pelo galho e sonhava em um dia bailar entre aquelas folhas. Mas como fruto que era, imagina que este destino lhe seria negado. Que galho cruel aquele que a prendia e a imobilizava daquela maneira! Sim, ela podia sentir o vento, mas voar com ele, como as folhas secas faziam, ah...isso não! E invejava as folhas em seus movimentos divertidos, praguejando seu destino.
E ela, fruto que era estava ali, vendo tudo de cima. Como quem só pode ver a festa pela televisão. Aquela fruta queria estar lá embaixo, onde as coisas eram movimentadas. Via, vez por outra, um animal da floresta passar por debaixo da árvore e pensava nas novas amizades que poderia fazer se estivesse lá embaixo. Ah...que vida dura a de uma fruta totalmente grudada ao galho que lhe tirava a liberdade! Odiava aquele galho.
Ela queria dançar com as folhas. E um dia, de repente, como manda a natureza, foi pega de surpresa e caiu ao chão. Pronto, estava exatamente onde queria! Foi um tombo duro, mas ela escapou ilesa e exultava de felicidade em pensar na nova situação. Agora é que as coisas iriam ficar boas de verdade. Agora era só bailar ao vento e fazer novos amigos, os animais que via vez por outra.
Mas o tempo passou. E o vento jamais a levantou em giros frenéticos.
E lentamente, a fruta que sonhava tanto sentiu que apodrecia. Percebia que, lentamente, sua vitalidade ia embora e ela se tornava bolor e que o bolor a devorava por dentro, de maneira horrível. E os dias passaram, sem que nada a protegesse de seu destino tão desejado de estar no chão, junto com as folhas. E olhava pra cima e desejava o galho, agora fora de seu alcance e pensava no quanto seria feliz ali, presa a ele, e no quanto era boa a sensação de sentir o vento lá de cima. E passava os dias contemplando o galho, praguejando seu destino.
Até que um dia um animal passou por ali e, faminto, a devorou. De certa maneira foi um ato de amizade.
Escrito por Não é pra gostar às 10h48
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OeuProfundo
OeuProfundo
http://www.oeuprofundo.blogspot.com/
Classificação: 
O blog ótimo da Cris
Escrito por Não é pra gostar às 12h57
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O defunto que saiu correndo
E o velho levantou-se, de supetão de seu caixão e saiu correndo. Todos ali, no velório, velas na mão, choro de carpideiras contratadas a preço de ouro, enormes arranjos de flores, incenso, um terno caríssimo dado ao defunto para essa mórbida ocasião, aluguel da capela e um dia de trabalho do padre, e ele ali, fazendo aquela desfeita de pular do caixão e sair correndo. Sem o menor respeito por todos os gastos fúnebres.
O povo gritou e o padre gritou em latim (depois ele explicou que tentava exorcizar o defunto). O povo correu e uma das carpideira acabou, cinicamente, morrendo do coração. O defunto saíra correndo! Que atrevimento! Que individualismo! Que ingratidão ele cometia ao não se conformar com seu estado e de forma egoísta sair em disparada!
Mas o defunto corria, altivo. Ele sempre se submetera a todas as regras, ele sempre se dobrara a todas as normas e expectativas. Sempre fizera de si o que os outros queriam que fosse. Sempre deixara suas vontades de lado em nome da decência e daquilo que lhe era dito por adequado. O defunto rebelde simplesmente corria, como se afirmasse a todos aqueles olhos descrentes a sua revolução pessoal. O defunto dizia se recusava e proclamava com sua atitude que daquela vez não seria como todos esperavam que fosse.
E conforme corria o velho defunto ia ficando pra longe a romaria. Ao olhar para trás assustado, viu sua mulher ficando pequena enquanto a distância crescia. E um alívio se dava por aquela distância que aumentava. E o defunto, pra ousar mais uma vez pôs-se, pela primeira vez a pensar. Sua rebeldia era consumada e de nada adiantaria voltar atrás.
Lançou fora a gravata. E com ela se foi a megera, mulher do defunto. Se lembrou mais uma vez dela, dos abomináveis hábitos de reclamar, do cheiro forte de seu perfume enjoado, do quanto ela andava gorda, das fofocas a que ela se dava tardes inteiras com as amigas, lembrou-se tudo e concluiu que era melhor estar a correr. Ele sentira a mesma vontade no dia do seu casamento: transformar a dia do compromisso numa espécie de São silvestre da liberdade. Seriam os ritos religiosos que lhe deixavam as pernas traquinas?
Jogou ao alto o paletó e com ele se foram os anos de trabalho. Seu medíocre salário, uma vida inteira falando engasgado um sim senhor rouco e rancoroso, sua subordinação calada, sua omissão. Pensou no patrão: sujeito bem apessoado, que lhe exigia cargas elevadas de trabalho enquanto fazia relatórios orais longuíssimos com a secretária. Veio a sua mente de falecido o valor do salário e o valor do lucro que produzia e o defunto, infelizmente de maneira tardia, declarou-se marxista.
Lembrou-se do quanto era boazuda a secretária do patrão. Lembrou-se aliás, de quantas mulheres boazudas ele conhecera e de que jamais havia comido uma delas. Lembrou-se de todas as suas obrigações para com a monogamia, igreja, filhos e esposa. E mudou de lembrança, lançando fora a própria camisa, enquanto corria.
Os sapatos já tinham se ido quando o velho defunto se lembrou dos amigos que fazia pelo interesse de obter uma promoção. O bafo do Serginho, o Douglas e as cantadas que ele dava na esposa do defunto, os porres do Homero e suas ofensas desculpadas no dia seguinte. Lembrou-se de cada um e descalço, gritou o defunto: “Vão pra puta que os pariu!”.
O defunto quase caiu, enquanto arrancava as calças, tropeçando seguidamente. Mas era firme seu propósito de tirá-las fora e logo conseguiu. Pensou no pai e na mãe, nas vezes em que se escondia no banheiro pra se punhetar e vinham lhe bater á porta, justo na hora H. Se lembrou dos castigos de varinha do pai, pra quem “menino se conserta de pequeno” e dos gritos da mãe, todos atos de violência feitos, naturalmente, apenas com o objetivo de lhe oferecer o melhor. Amor dos pais é assim: pancada do bem. Vislumbrou as castrações, os não consecutivos, a disciplina pelo qual ele sempre agradecera como um cordeiro ter recebido. E pela primeira vez, ele se livrou dessa disciplina.
Meias e a cueca se seguiram. E o defunto se lembrou do quanto havia se esforçado para a todos agradar. Ele havia feito tudo certo, até o dia do velório. E estranhamente, tudo aquilo que lhe fora prometido como prêmio pelos sacrifícios jamais veio. Não havia ficado rico por ser bom ajuntador de dinheiro, não tinha sido feliz com sua mulher mesmo sendo fiel, não seria lembrado mesmo tendo sido bom e não havia, ali na morte, reino dos céus algum onde ele pudesse se recompensar de suas privações em vida vivida.
E ali, peladinho, o defunto entendeu que ao se recusar a morrer, ao ter dito não para todas as expectativas, por ter se negado ao corriqueiro ele jamais seria entendido novamente como membro do mundo onde tinha habitado. Mas ele simplesmente exclamou: “Puta que o pariu! Como é bom dizer não!”
Escrito por Não é pra gostar às 11h08
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Um texto pra você
Sabe, desde quando nos conhecemos deu pra perceber que tinha algo especial. Um jeito todo seu de agüentar meu cinismo e essa minha mania de confundir Napoleão Bonaparte comigo mesmo. Com uma pequena e importante ressalva de que não pretendo perder a guerra em nenhuma posição constrangedora.
Porque pra me agüentar tem que ser uma mulher muito especial. Uma mulher que tem um saco enorme, sem nenhum trocadilho com as travestis, antes que um amigo me dê um puxão de orelha saudável e justo, em nome da sociedade sem preconceitos. A sua primeira virtude é esta: a resistência escrotal em nível sobre humano. Mas, mesmo sendo muito, seria injusto só louvar essa virtude. E hoje eu vou fazer um texto pra você.
Um poema em vosso gabo, e dando essa regra por primeira não quero apelido de boca do inferno que a minha qualidade é bem mais baixa e de fato vou fazer elogios sinceros. Vou começar pela sua gostosa inteligência. Sua companhia intelectual me faz muito bem e acho que é um marco na minha vida: inteligência é afrodisíaco. Queimem todos os amendoins, os ovos de codorna a combustível de catuaba. Inteligência funciona bem melhor.
Já que sempre acabo com comparações sexuais mesmo (e você sabe que sem nenhum motivo maldoso), vou ter que dizer que você é muito bonita. Uma beleza doce, de menina moça, que me força admiração e me povoa o imaginário. E mulher inteligente e bonita não dá em árvore (a menos que role um clima). Mulher bonita e inteligente é a suprema obra divina e a maior tentação do diabo. Amém, irmã?
Agora vou louvar sua feminilidade. Existem diferentes gradações no ser mulher e umas mulheres são mais mulheres que outras. E você é mulheríssima. As mulheres femininas são tão raras hoje em dia que deveria haver uma lei que as protegesse. E não vai no sentido da proteção nenhum comentário machista: eu sei que te proteger é algo desnecessário, afinal, as grandes mulheres já queimaram seus sutiãs há muito tempo.
Sua deliciosa teimosia também me encanta. Fico tão encantado que, por vezes, acho que você confunde minha reação raivosa, impaciente e esbravejante com raiva. Um grande erro achar que só porque fico louco de ódio não admire. Porque não é raiva, é ódio mesmo. Mas aquele ódio de amor que serve apenas pra ter certeza de que você está completamente errada e te amar apesar disso. Quando você diz não é o momento de profissão de fé do meu amor.
Sempre penso em você. Meu imaginário é rico em sua pessoa. Você é uma espécie de atriz principal da novela que é o meu pensamento. E isso não tem nada a ver com aquela pesquisa que revela quantas vezes os homens pensam em sexo por dia, já vou logo me defendendo. Juro.
Me encantam tuas doçuras, teus devaneios, tuas opiniões que se dizem lógicas, tuas malucas exigências (bom, dessa parte gosto menos), tuas imagens que se firmam na minha mente, teus medos, éticas, e lutas. Tudo me atrai, tudo me encanta, tudo me surpreende.
Ta vendo? Já fiquei com saudade. Dá pra deixar de lado a tua deliciosa teimosia e será que a gente podia se encontrar pra tomar um café? Afinal de contas, a questão do café sempre foi fundamental entre nós. O café e nós, com o amor que não deve ser detido. E não vejo problema nenhum se você pedir uma água mineral com gás, pra acompanhar.
Escrito por Não é pra gostar às 12h22
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Das cores
Das cores
(Obs: este texto é uma desagradável obra de ficção e de forma nenhuma se refere a dona encrenca. Não sou eu falando em mim, sou eu falando como outro. E o final está confuso. Igualzinho esse parênteses. Sou craque em confusão.)
Eu procuro incessantemente pelo azul. Busco, desatinado, louco, zureta uma chance de encontrá-lo antes que essa fagulha no espaço tempo chamada vida se ponha atrás das montanhas. Essa centelha brilhante que nos é dada e só é desperdiçada pelos que não arriscam. O azul fica mais perto quando se procura ativamente a alma gêmea.
Não que todas as tentações do vermelho não nos façam gosto e convenhamos que azul sem vermelho é, na verdade, amizade. Vermelho é bom demais, principalmente com o maior número possível de pessoas antes de encontrar o azul. Mas vermelho por vermelho enjoa, com o tempo.
Para se ter certeza de que aquela pessoa que você encontrou é realmente azul, você precisa conviver com ela. Portanto, alguns conselhos: Lance mão do branco depois das brigas. Nunca consinta com amarelo, mostrando sempre firmeza e coragem. Verde só se ela também topar drogas leves. Cinza jamais, evitando parecer ambíguo. Seguindo estes, entre outros conselhos você estará aumentando vigorosamente sua chance de encontrar azul. Bom, soei muito professoral agora. Cabe dizer que ainda procuro insistentemente azul sem sucesso. Ou seja: Não entendo nada disso.
Não beba demais e nunca diga que ela está gorda, existem casos registrados na polícia em que preto aconteceu. Pode abrir as páginas policiais do seu jornal favorito. Jamais deixe roxo dominar, aspire e expire com normalidade. Sim, acho que se tudo isso der certo, é azul.
Portanto, se encontrou, lembre de me dar suas dicas e guarde bem. De minha parte dou conta de continuar a busca. Sempre quando eu brigo com ela fico sem vermelho, o que é bom para branco com suas horas de sono. Você quer azul, mas tem cinza em relação a se arriscar. Você amarelo em tentar fugir da situação, mas ela começa a te trazer roxo. O jeito é muito verde.
Escrito por Não é pra gostar às 12h28
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Porquê gosto do Homem Aranha
Todos nós temos gosto infantil. Uns são apegados aos personagens da Disney, outros continuam se imaginando como craques do futebol de asfalto mesmo depois de engravatados e há ainda os que se sentem bem continuando sua coleção particular de carrinhos mesmo depois do término da infância.
Eu, entre outras coisas, gosto do Homem Aranha.
Nunca expliquei exatamente porquê. E tive vontade de fazer isso agora.
O Homem Aranha é um personagem cujo destino não é o de ser herói. Ele deixa escapar a vida do próprio Tio, por negligência pessoal e sofre as consequências desastrosas de seu ato. Ele é orfão e não vem de um lar estruturado. É pobre, tem um chefe opressor, geralmente apanha mais do que bate de qualquer vilão. Sua (futura) namorada até muito tarde continua saindo com seu melhor amigo. Ele não tem dinheiro para o metrô. Na escola, vivia apanhando de um grandalhão chamado Flash e era um verdadeiro perdedor. Ele usa óculos e, diferentemente do tenebroso Super-Homem, eles não são nada estéticos.
O Homem Aranha tem um chefe opressor. Por mais que faça em benefício da cidade, a mídia o coloca sempre como vilão. Ele não é invulnerável e sente dor (muita, diga-se de passagem). Tímido, magricela e já trabalhou como entregador de Pizza. Nessa época ele novamente tinha um chefe opressor.
Apesar disso, ele mantém um refinado senso de humor e mesmo de suas piores situações faz piada. Ele mantém uma atitude positiva na sua humanidade. O Homem Aranha é como eu ou você: a única diferença é que ele é mais azarado.
Sempre tive queda por anti-heróis. De Darth Vader a Dom quixote. O Homem Aranha é um símbolo, mesmo com toda propaganda Ianque que se faz necessário mencionar, da superação e do comum. Por isso eu gosto dele. Pra mim, é isso que compõem os heróis: sua fraquezas. Os feitos só podem ser apreciados sob a luz de nossas deficiências. E como o Homem Aranha tem deficiências...
Escrito por Não é pra gostar às 12h35
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Super
Super vida. Cheia de Mac amarelo e vermelho Cola. Cheia de luzinhas engarrafadas de noitinha. Vida colorida tanto que irrita a vista de quem não usa óculos escuros. Vidinha de interior: interior do escritório, do carro, do cinema. Somos as águas do leito do rio que corre entre os prédios. Criamos uma sociedade feita para que não façamos diferença alguma. Peça uma massa no cardápio: cultura, comunicação, consumo de massas. Não se preocupe em se sentir meio amassado. Se achar que sua individualidade está sendo anulada, escolha uma tribo. Temos diversas opções pré-fabricadas; do punk ao maluco beleza. Se procurar estilo, compre um armani. As marcas falam por seus produtos, elas ditam as regras, reformam as palavras – não se sinta mal por isso, compre um rolex, uma ferrari e outro armani. Não que você precise de um relógio, de um carro e um terno. É que essas coisas dão status, sabe? E precisamos de status para nos sentirmos únicos. Status de massa.
Tudo bem, esses itens não estão a disposição de qualquer mortal. Uns poucos escolhidos podem. Mas meu ponto é que mesmo o que é para poucos é para qualquer um dentre os poucos. Será que as outras gerações sentiam essa mesma angústia comum a todos nós? Será que existe uma angústia de massas? Podemos solucionar o caso com um Prozac, que cura a depressão de qualquer um, inclusive a sua.
O homem tem a necessidade de se sentir especial. Eu me sinto: ninguém parece mais incomodado com tudo isso do que eu. Portanto não se revolte também. Isso seria definitivamente ruim para minha individualidade - uma revolta de massas. O mundo está se tornando um lugar melhor, acredite. Você não está só, é só uma solidão de coletiva. Você está solitário junto com todo mundo. E esse nó dentro do peito, esse sentimento de que a vida não leva a lugar algum é bobagem. Escolha uma tele-religião e fim de papo.
Escrito por Não é pra gostar às 13h34
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De súbito, em um lampejo de sanidade, o improvável acontece.
Apesar da pior memória do planeta
Lembrei minha senha!
Escrito por Não é pra gostar às 13h32
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De volta
Com a internet funcionando adequadamente, volto a escrever. Obrigado pela ajuda de todos os grandes amigos que nos provaram o que eu já desconfiava: puta que o pariu, como nós temos voto!
Um beijo no coração
Léo
Escrito por Não é pra gostar às 03h20
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Leonardo
Giordano
13 13 0
Competência e Juventude pelo Bem de Niterói
Escrito por Não é pra gostar às 02h12
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"Est Sularus Oth Mithas"
Escrito por Não é pra gostar às 05h51
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Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo, então
Renato Russo
Escrito por Não é pra gostar às 12h37
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Eu fui
Eu já fui muitas coisas. Fui perigoso, estive enganador, encarnei em poeta, dormi rico, me mostrei hilário, arrogante, submisso, ótimo e bom partido. Eu já fui o rei do ócio, trabalhador, recusado por todos, menino. Já fui da rua e de casa, mostrei ter segredos sem discrição, morri de amor e as chamei de meretrizes. Eu já fiz de tudo um pouco, para cada uma delas e também não fui ninguém, as vezes. Quando me dava na telha eu era o vilão e quando me dava um estalo eu era impróprio. Eu fui rejeitado cobiçadamente por um monte delas. Acordei e me perguntei o que fazia ali. Outras vezes eu preferi continuar dormindo. Eu já fui de declarar amores falsos e de não declarar o meu amor. Eu estive juntinho com a cabeça lá longe, eu abracei forte a solidão junto com algumas, umas tantas me deixaram só. Eu exibi a beleza de outras para os meus mais que pra mim e já vi beleza onde os outros diziam não existir. Eu já fui mercador e vendi ilusão a quilo. Já fui de comprar qualquer conversa mole e de vender o meu peixe. Eu já fui muitas coisas.
Mas eu comento baixinho, comigo mesmo, de vez em quando: Como é bom ser eu mesmo, nos braços do meu amor! Te amo!
Escrito por Não é pra gostar às 03h14
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Que bobagem!
Que bobagem, meu bem! Que bobagem sua. Achar que eu gostaria de algo tão bobo quanto ser a coisa mais importante ou o mais amado. Foi um lapso, eu estive louco. Bobagem levar a sério.
É como se tu me pedisse pra eu te amar mais que a política, como se você se aborrecesse quando me atraso pelos caprichos dela ou quando estou contigo pensando em suas artimanhas. Seria tolo assim. Por isso entendo o motivo de nunca ter me dito essa asneira.
Que de qualidade de poeta, a minha é baixa. Seria como comparar os meus versos feitos só pra ti com aqueles feitos para todas as mulheres. É como ver mais importância naquilo que dedico somente para o teu prazer que no prazer de todas as mulheres. Seria como se eu achasse que os versos inspirados em ti fossem melhores que os versos inspirados em outras mulheres, que desconhecemos, tu e eu. Seria tolo assim.
É claro que as linhas escritas inspiradas no suor que não foi o nosso são muito melhores. É verdade que a história dos outros é muito mais interessante que a tua. As músicas que vem de lá são muito mais importantes que a nossa música. E a escolha das palavras impressas no encarte muito mais refinadas que aquelas que disseste pra mim. A descrição das núpcias onde tu não estavas bem mais quentes que as que tivemos em nossos melhores dias. Eu sei que certamente você não pensou duas vezes agora.
E que os olhos belos que te encantam muito mais interessantes que os meus, mesmo quando haviam neles lágrimas que eram só tuas. E que tu preferes bem mais as coisas que foram feitas para outras do que as que são pra ti. Por isso, tudo é mais interessante no que foi pensado para milhões: porque seria insensato que tu escolhestes tuas próprias coisas antes dessas. As tuas não podem valer mais que a perfeição das coisas que não te deram amor. Tua escolha é valorizar o que não te escolheu, amor, lógico.
E adotando a tua lucidez frente essa loucura minha te digo, tens razão! Como a musa dele é mais perfeita que a minha!
Escrito por Não é pra gostar às 01h39
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Pra deixar claro
Eu não escrevo poesias e nem tenho muito gosto pela coisa.
Mas do nada senti vontade de escrever essas duas aberrações que estão aí embaixo. Riam-se a valer da minha ausência de técnica.
Acho que um é um cordel. Mas não sei bem ao que dei a luz.
beijos
Escrito por Não é pra gostar às 04h02
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O enterro de José (um cordel- acho)
O enterro de José
Havia no fim da vida uma caixa E um homem chamado José Em sua volta fazia homenagem Do Joaquim ao Mané
Bom em tudo ele era Ia a missa aos domingos, era trabalhador Cuidava dos meninos E era bom pagador
Era o que todos diziam O José só tinha virtude Até quando bebia parecia de boa atitude
Era justo e reto O José não tinha defeito Que tragédia diziam O ônibus ficou sem freio
E chorava a viúva Um choro todo faceiro Lembrava mais da moeda que ia Que dos braços do leiteiro
O José ia pro céu bom homem, bom cristão Era o que o Padre dizia Em toda missa lhe trazia um talão
Os amigos do trabalho Pra quem o José era irmão sentiam muito sua falta todos de copo na mão
Mas pensavam consigo bem ali, do lado do caixão que com o José morto um deles podia pegar sua função
E os filhos crescidos vinham de um em um prestar as últimas homenagens Que dos seus 20 contos de herança cada um queria ao menos 21
O dono da fábrica também veio dar adeus ao josé que fazia de um tudo para na hora lá estar Até mesmo, má sorte da vida atravessar o sinal sem olhar
E todos os presentes ao enterro fizeram a última prece Se benzeram uma última vez depois disso a vida seguiu Como se o José nunca houvesse existido, talvez
E em sua lápide uma homenagem marcava bem o local nela lia-se a frase "Viva à família e a moral"
Escrito por Não é pra gostar às 03h59
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O louco
Eu não tomo frontal, como você, que é normal Por isso sou louco por ter bom senso Porque se o mundo é louco eu é que sou normal
Não me diga o que fazer de mim Porque seria insano insensato e reprovável Ser louco como nos mandam ser
Trocar o sorriso pelo cachimbo os dedos pelo anel de doutor os pés pelas mãos E as mãos e os pés pelo pão
Ah como eu queria que todos fossem assim Ou que meu assim durasse um segundo além desse verso Como seria bom! Se todo mundo pensasse que todo mundo é irmão!
Escrito por Não é pra gostar às 03h58
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Não fica no caminho não.
O bicho vai pegar malandros, o bicho vai pegar.
Já viu o Popeye quando come espinafre?
Pois é, cumpádi...pois é...
Escrito por Não é pra gostar às 02h45
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Um dia eu quero viajar. Eu gosto muito de estar em lugares diferentes, em especial cidades. Os humores da cidade sempre possuíram um fascínio muito grande para mim. As cidades tem uma disposição, uns tipos, um clima, enfim elas tem uma personalidade a ser revelada. É só prestar atenção. E se você ouvir a cidade vai saber muito sobre as pessoas que moram nela. Eu quero conhecer vários países antes de fechar a tampa do caixão. Ando morrendo de vontade de viajar. No fim do ano eu pretendo. Petrópolis me fez retomar a vontade.
Escrito por Não é pra gostar às 12h27
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Insônia - Uma de suas razões - Uma tese de medicina
Não consigo dormir. Ardo em um ódio insone.
Do ódio sempre se espera um motivo. O meu motivo não existe e não viria ao caso se existisse. Não é sobre motivos que quero escrever. Eu sinto um ódio que explode, que não se contém dentro de mim. Eu me torno espectador do meu próprio corpo e a vida definitivamente um filme. Ele tem vida própria, age por mim. Os pesos e medidas são lançados ao vento. Tudo importa nada. É o limite do eu, fronteira adiante esta o insensato. O sanatório que há em cada um de nós, mas de portas escancaradas e sem cadeados. Ele passeia por cada pedaço do corpo e dentro, esta no pulmão e no estômago e nas gotas de tudo o que há aqui.
O ódio não tem sentido e nem se pergunta. Ele é como eu escrevo: aquilo que vem a cabeça, na hora. Ele é puro porquê é um dos estados de sinceridade absoluta, de entrega total. Ninguém dorme absoluta e sinceramente. Ninguém dorme quando se entrega totalmente. O ódio é o antídoto do sonífero. Ele é estar totalmente aqui e perder a cabeça, ao mesmo tempo. Nenhum sentido esta entorpecido e seu cinismo esta longe do da bebida: você se lembra dele quando acaba. Você se lembra de tudo o que fez quando estava com ódio. Você se lembra de ter lutado contra sua manifestação e se lembra do exato momento em que perdeu o controle. Ele se liberta e você junto. Quem disser que o ódio não é um momento de libertação sempre foi prisioneiro de si.
Odiar algo fixamente não tem nada a ver com o ódio conforme o descrevo aqui. Odiar é um processo meticuloso, onde há reflexão, é vil. Quem odeia alguma coisa teve tempo para pensar no assunto. Quem sente o ódio vir de dentro pensa simplesmente que esta perdido. O que se perde é o livre-arbítrio. E isso é estranho: perde-se a vontade própria mas se é livre dos controles. O ódio turva a visão. Todos parecem vilões no filme que se passa. Que ternura é lembrada? Que perdão é possível? Quem nos parece um justo?
Ele passou, esse ódio sem motivos. Estou exausto. Vou dormir.
Escrito por Não é pra gostar às 04h37
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Colhi frases sobre a honra
A honra é como a neve, manchada pelos passos que a pisam - La Barca
Homem sem honra é pior que morto - Cervantes
A honra é como a pedra preciosa: com um pequeníssimo defeito tem o preço enormemente reduzido - Bossuet
As afrontas a honra são irreparáveis - Corneille
A honra é a poesia do dever - Vigny
Pouco se perde, quando não se perde a honra - Voltaire
nenhum homem tem o dever de ser rico, grande ou sábio mas todos tem o dever de ser honrados - Kipling
Tanto não poderia amar-te, amor se mais ainda eu não amasse a honra - Lovelace
A honra é como a mocidade, perdida, ninguém a recupera - Cantu
A honra nunca é ofendida impunemente, nunca existe pela metade. Inteira é forte; ferida, morre - Mantegazza
É a maior das infâmias preferir a vida à honra e perder, por amor a vida, o que a torna digna de ser vivida - Juvenal
Nunca a honra estará segura na boca dos maldizentes - Diogo de Tovar
Escrito por Não é pra gostar às 02h53
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Em homenagem a Lú e seu comentário, ainda na seção RPG...
Tive uma visão. Ei-la:
Havia um Rei em uma corte florida. Seu trono ficava no meio da floresta, a céu aberto, entre folhas verdes e raios de sol esguios, soltos entre as copas das arvores. Seu trono era de um mármore claro, antecedido por três degraus que faziam um conjunto. Uma peça adornada e única, de um peso incalculável. O mármore era abraçado por trepadeiras e elas envolviam as laterais, chegando ao próprio trono. Era um trono antigo, mas belíssimo.
A corte era festiva e interessante, mas minha visão detinha-se no Rei, frontalmente. Havia ninfas dançando com seda esvoaçante a sua volta mas o homem parecia não dar atenção a elas. Seu aspecto era cansado e despojadamente sentava-se sobre o mármore, plenamente a vontade. Eu podia ouvir o ruído de águas ao longe, mas elas também não o perturbavam. Era uma figura velha, um pequeno cavanhaque de um grisalho que beirava a branquidão. Cabelos nos ombros, ralos e alvos. Trajava uma aparentemente antiga armadura de corpete de bronze, adornada. Usava sandálias e mantinha as pernas abertas e os pés fincados no chão, imóvel, petrificado. Não parecia nem mesmo respirar, sua introspecção era completa, detinha-se dentro de si. Nos ombros da armadura duas presilhas redondas, douradas e tão grandes que lhe tomavam metade do peito. As presilhas sustentavam sua capa que deveria ser longa e esvoaçante, mas que não passava de um amontoado de veludo escuro, espalhado desordenadamente e amassado. Em uma das mão trazia uma espada, desembanhada, com a ponta colocada no piso. Segurava a arma com mãos calejadas e um anel de ouro. A lâmina era adornada, rica e trabalhada. Mas nada podia esconder a ferrugem. Estava suja também e revelava pequenos traços de sangue seco de outras eras. Descansando em um dos bracos do trono havia um cetro. Seu cabo era feito de uma serpente dourada que enrolava-se até a ponta onde podia-se ver um globo de alguma qualidade de pedra enorme, azulada, que não consegui identificar. Sua coroa formava um círculo completo, composta de vários pedaços pontiagudos. Em cada espeto havia uma jóia rara e em cada jóia uma inscrição de uma vitória há muito esquecida. A coroa pesava tanto que tive a impressão que era ela que o afundava dentro da pedra.
Mas foi sua expressão que me prendeu. Suas sombrancelhas eram espessas e brancas. Com a fronte marcada parecia perturbado. Franzia o cenho e observava o vazio com dois olhos cortantes. Sua boca parecia seca, lábios franzidos sem nada a dizer. Era branco. O Rei branco. E sentia-se pesado. Eu me perguntei sobre o que pensava o Rei branco e então, subitamente, acordei.
(escrevi esse texto pq estou com vontade de jogar RPG)
Escrito por Não é pra gostar às 22h14
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Gostaria de fazer um elogio: Em uma campanha, as coisas precisam funcionar. Cada engrenagem do relógio precisa estar azeitada. O funcionamento deve ser perfeito. O candidato precisa ter belos ponteiros e marcar as horas com precisão, mas pra isso, o pré-requisito é que haja um relojoeiro de trabalho consistente.
Na minha opinião, a nossa candidatura funciona hoje com cerca de 40% do potencial real. O candidato tem um trabalho igualmente nessa marca e ainda temos áreas onde a eficiência é muito menor.
Mas o relojoeiro Tiago começou a trabalhar. E já sinto que apesar do grande potencial de crescimento, estamos em uma posição melhor que a dos outros reloginhos de camelô.
Valeu Ti!
Escrito por Não é pra gostar às 15h53
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Acordei passando mal. Meu estômago grita por liberdade. Há uma revolução em curso dentro de mim. Eu dormi muito mal. Não fiz nada do meu dia. Estou chateado. Isso ajuda. Aprendi a gostar de quando meu dia rende.
Ontem por exemplo, fiz muita coisa. Meu discurso esta ficando mais refinado, mais específico, estou aprendendo a falar sobre Niterói, sobre os problemas da cidade. Sugerir soluções. Isso me deu um alívio muito grande. Estava preocupado em entrar eleição adentro falando a língua do movimento estudantil. Longe de estar bom, mas percebi progressos. Agora eu sei que é uma questão de tempo. Fiquei mais tranquilo.
Ontem também tive uma grande decepção. Não gosto desse sentimento. Ele nos leva a diminuir o ser humano, a desconfiar, a não estabelecer mais grandes expectativas e planos. É o famoso "balde de água fria".
A decepção é a desmaterialização de algo grande, que podia acontecer. Mesmo que a grande coisa aconteça, ela já não é a mesma coisa. Fica comprometida, fica amputada. E daí? Como sair dessa?
Sei não. Mas preciso ficar bem e logo. Estou com essa sensação: de que tenho que resolver minha vida de maneira efetiva para enfrentar os meses difíceis que vem pela frente. Estabilidade. Eu preciso de estabilidade. E de onde ela vem? De alcançar as expectativas. Pelo menos as mais importantes.
Escrito por Não é pra gostar às 15h41
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Na ponta da faca ficam as decisões mais difíceis. Descer pelo gume cego ou pelo afiado e sangrar.
Importa, contudo que não se trate de uma faca de dois gumes.
Escrito por Não é pra gostar às 22h02
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Warcraft
Estava jogando warcraft e em um dos filminhos mais legais tem uma frase muito maneira. Resolvi escrever aqui pra não esquecer:
"This kingdom shall fall. And from the ashes of it shall rise a new order that will shake the very foundations of the earth."
Ou numa tradução livre:
"Este reino cairá. E de suas cinzas se levantará uma nova ordem que irá abalar as próprias fundações da terra."
Parece o PT-socialista falando...forte, né?
Escrito por Não é pra gostar às 21h53
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Breve comentário cínico
Nenhum "para sempre" dura muito mais que dois meses...
Mas isso é humano. E como bom humanista não posso ter raiva disso, posso?
Funny thing.
Escrito por Não é pra gostar às 22h23
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Homenagem
Uma homenagem a você, que esteve ao meu lado quando a derrota se aproximou tanto que poderia me tocar. Você, que entendeu tudo no tempo certo e acreditou em todos os tempos. Um sorriso que abro ao me lembrar de como conheci a pessoa mais corajosa e importante de todas. Que não fugiu nem mesmo quando me afastei do meu Deus. Que me lembrou Dele quando a memória tinha apenas perguntas vagas.
Sua lealdade nunca foi definida por esta palavra. Devoção.
Você curou todas as dores, trouxe de volta a doçura. Antes eu prefiro negar a mim mesmo que me esquecer. Não há mal no futuro capaz de mudar isso. Devoção.
Escrito por Não é pra gostar às 23h12
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Preconceito
Tiago como sempre me faz refletir. Eu tenho uma série de preconceitos babacas.
Autocrítica pública, nesse ponto. Desconstruir os preconceitos é um processo que demanda esforço pessoal, uma vez que significa nadar contra a maré que nos conduz a eles. A sociedade valida o preconceito, o estimula desde a mais tenra idade, nos leva, inclusive a acreditar que não somos preconceituosos. A maré nos leva a atribuir um determinado senso de normalidade na suposta inferioridade ou ridículo de profissões, orientação sexuais e gênero (aqui é difícil pra caramba desconstruir o meu, mas venho tentando). E eu sempre achei essa historinha de cardume conformado que nada pro mesmo lado um perigo.
Preconceito é uma coisa babaca. Só podia ser, uma vez que foi inventado pelas mentes babacas que nos dominam babacamente. Mesmo que eu volte a errar, que fique claro que é erro.
Um erro babaca.
Escrito por Não é pra gostar às 12h59
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Terceira digressão sobre o terceiro aspecto da honra
Vejo um terceiro aspecto na honra conforme a compreendo. Há nele aquilo que nos torna lutadores. Particularmente é neste campo que me encontro mais avançado em meu caminho na busca por valores que me satisfaçam. Dentro da definição muitíssimo pessoal da honra que tenciono fazer, aqui é o meu lar. Uma espécie de aspecto guerreiro da honra. Novamente encontrei três itens que são definidores: Coragem, justiça e lealdade.
A coragem é vencer o medo. De maneira nenhuma é corajoso aquele que não tem medo. Quem não teme não pode, apesar disso, realizar nada. Não há, absolutamente, nenhuma honra na covardia. O covarde perdeu a chance de decidir por si mesmo: o medo o comanda. No entanto, nem todo o recuo esta fundado no medo e coragem nada tem a ver com irresponsabilidade. Há sempre por detrás da coragem uma necessidade. Aqui há algo que pessoalmente preciso controlar, segundo dizem. Há um fino divisor entre o valor e a tolice. São, no entanto inconfundíveis uma vez passada a situação, como água e óleo. Sempre é possível saber se fomos corajosos ou loucos. Por fim, há que se registrar que se aproxima muito mais da honra o louco que se atira que o covarde que foge.
A justiça esta ligada a capacidade de nos indignarmos. É algo que não se flexibiliza, um núcleo duro de coisas que não são negociáveis. É quando resolvemos mudar o mundo injusto antes de sermos mudados por ele. A justiça é o contrário da relativização absoluta que a tudo absolve e compreende. Se tudo fosse lícito não haveria justiça e sem ela não haveria honra. A justiça sempre nos empurra para a ação. Ela é que pode relativizar todos os outros fundamentos da honra. Por mais virtuoso que seja o homem, se ele é dado a injustiças então sua honra é dada ao fracasso. Ser justo depende de julgamentos que por sua vez dependem de valores. Então a justiça bebe nos outros fundamentos da honra e se vale deles como critério. No entanto, reafirmo que ela é a base para a utilização dos outros elementos que ao meu ver constituem a honra em sua aplicação prática. Nenhuma aplicação pode ter validade senão nela.
No caso da lealdade, o que está em jogo é o comprometimento. Em nenhuma situação adversa pode o homem honrado desfazer-se de seus compromissos com seus queridos, com aqueles a quem tenha empenhado sua lealdade ou com que tenha a ele defendido. A lealdade não se confunde com hierarquia: no caso dela existir, deve portar-se com a mesma devoção a seus subordinados que tenha com seus superiores. Quanto maior a desproporção da força entre as partes, tanto maior deve ser a devoção dispensada por nossa parte quando estamos fortes. Por fim, vale dizer que a lealdade não nos permite a omissão e que não esta necessariamente ligada a uma pessoa. Causas, idéias e objetivos são também objetos válidos para nosso comprometimento.
É como vejo a honra.
Escrito por Não é pra gostar às 01h43
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Segunda digressão sobre o segundo aspecto da honra
Naquilo que de maneira inapropriada resolvi chamar de aspecto metafísico da honra encontro três elementos constitutivos: respeito, eternidade e espiritualidade.
Por respeito entendo a individualidade, a liberdade. É permitir que o outro floresça em suas potencialidades. O respeito esta ligado também à mansidão: quando criamos o ambiente ideal para o desenvolvimento pleno das potencialidades alheias. Não há honra em temer o crescimento do outro ser humano. Não há honra na escravidão e na exploração. O preconceito é outra forma de desonra.
A eternidade é o que entendemos por legado ou herança. É a memória que deixamos ao mundo. Nossa assinatura final. Para mim é um elemento muitíssimo importante por estar em jogo a eternidade no mundo físico. Aquilo que fomos se transforma em uma continuidade de nossa influência sobre a terra. Aquele que não se importa com seu legado, com sua "face" no sentido oriental, não possui honra para mim. Vale dizer que um dos atos mais importantes nesse caminho é o ato final, onde revela-se a postura do homem perante a morte. Quem fez o que tinha que ser feito pode conseguir olhar a morte nos olhos. Não é, no entanto, uma obrigação de todo homem vencer o terror do fim, sendo apenas a prova definitiva de coragem e um toque final mui belo ao legado eterno. Ninguém é obrigado a não temer a morte, mas aqueles que o fazem são realmente admiráveis. Eu ainda não morri, mas tento me preparar para a hora e cumprir aquilo que creio. Sem trocadilhos, quem viver verá.
Por fim, a espiritualidade. Ela é a forma como vemos o Deus. Não se trata de religiosidade ou fé manifesta. A questão esta na maneira como resolvemos nosso Deus. Posto que o homem tem, mais cedo ou mais tarde, que deparar-se com esse enigma, não creio que quem não atinge equilíbrio e se encontra possa pretender ter honra. Pelo menos não honra racional. Mesmo entre os ateus há diferença entre aqueles que descobrem-se virtuosos e satisfeitos na inexistência de Deus e os que ignoram a questão e ultrapassam a vida como se não lhes fosse inevitável morrer. A ausência de resposta pessoal para a fé é o caminho mais rápido para a inconformidade, o medo e a ausência de caráter: tanto faz pois não se pensa no depois da morte e o instinto tende a prevalecer.
aqui as minhas opiniões sobre uma segunda parte do que seria a honra.
Escrito por Não é pra gostar às 01h16
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Uma digressão sobre um aspecto da honra
Daquilo que nos torna humanos acho que a parte mais linda fica com o perdão, a compaixão e a solidariedade. Quando um ser humano consegue perdoar seu inimigo fica por instantes muito próximo a Deus. Deus é a misericórdia ultima, ele consegue amar o homem nos vales mais sombrios, entre seus dias mais torpes e o rancor mais amargo. Para caminhar até Deus é necessário negar-se a si mesmo em diversos momentos e em fazendo isso, ter um prazer indizível e humilde.
A compaixão não é o companheirismo. A compaixão demanda sacrifício e pode ser episódica, apenas. O homem compassivo faz algo que não é lógico para seu próprio bem-estar. Ele se coloca como menos importante que o outro e age. A compaixão é servir. Um dos momentos mais lindos que alguém pode ter em sua existência é arriscar-se pelo outro. É carregar um fardo que não é seu, sem que saiba sua mão esquerda aquilo que faz a direita.
A solidariedade é universal. Ela não tem rosto, não pessoaliza seu alvo. É amar todo homem pelo fato de ser este um irmão. Mais do que simplesmente manifestar esse amor no caso concreto, ser solidário é amar a instituição humanidade e contribuir para que ela seja livre. Solidariedade tem a ver com senso de justiça e busca de identidade universal de nossa raça.
Na minha opinião aí está o aspecto não belicoso da honra.
Escrito por Não é pra gostar às 13h49
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Ainda que a traição a todos agrade, o traidor é sempre detestado.
Miguel de Cervantes
Escrito por Não é pra gostar às 18h57
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Esse paradoxo não é o meu tipo
O mundo vem ficando pior a cada dia. Há uma espécie de descompasso nos seres humanos. Como se nós fossemos anticrônicos ou como se esse tempo não nos pertencesse. Falam de globalização mas procuramos nossa tribo. Falam de fluxo de informação mas nunca estivemos mais confusos. É o reino das ciências com um crescimento espantoso das religiões.
É o tempo de pax mais cheio de guerras que conheço. É uma era de luzes: as das cidades e dos homens bomba. Nunca fizemos prédios tão altos e nunca colocamos no chão dois prédios tão colossais. A esquerda morreu mas nunca foi tão necessária e viva. Proclamaram até o fim da história, nesse momento histórico. É o tempo da liberdade dentro dos condomínios fechados. O momento sublime da inteligência humana sob o governo do tacanho Bush. É o neurônio MTV convivendo com o Ratinho e vamos indo como numa pintura onde as cores não ficam dentro das linhas traçadas. É a livre concorrência entre a Monique Evans e o programa do pastor da Universal.
Tudo acelerado. Estamos em um filme em FF. A menina se maquia aos oito anos, o mercado de trabalho te acha velho aos 35 e a vovó que acabou de aprender a mexer com Windows 98 precisa descobrir os novos comandos do XP ou resignar-se, obsoleta. Tudo devagar. O trânsito não anda, as filas aumentam demora mais pra você se aposentar.
É o auge do descartável. Da garrafa ao cinzeiro, um viva para os plásticos! Até os relacionamentos deixaram de ser o constante e gradual envolvimento mútuo. Tudo muito objetivo e experimental, uma ficada, uma trepada um adeus e no fim um ser humano só. Ainda existe amor, mas ele não esta na moda. Ele é descoberto depois da corte de futilidades deliciosas. Trepar é bom demais e não sou moralista, parênteses.
Gente morrendo é programa de TV. O seriado policial nos mostra o orgulho da corporação deles enquanto comemos uma lazanha congelada. Nos intervalos são oferecidos produtos que despertam nosso interesse por status. Nos vendem posição social materializada em grife. E nós achamos o máximo no mundo pior.
Nunca fomos tão indivíduos. Tratamos dos nossos problemas, nossa carreira, nosso dinheiro, nosso bem viver, nossa diversão. E estranhamente, tendo vivido só para nós mesmos, nos descobrimos a cada dia mais infelizes. Durma você com um barulho desses. Até as putas hoje em dia cobram adiantado. Só confiam em si mesmas, afinal.
O culto a nós mesmos nesse mundo é impressionante. As academias lotadas, as bibliotecas vazias. Ninguém escreve porquê é perda de tempo. O barato é ver Big Brother. Que saudade do castelo Rá-tim-bum quando vejo a geração teletubies crescer.
Eu não me enquadro, eu não aceito. Viva ao paradoxo, mas com lógica! Vivamos todas as maluquices racionalmente. Abandonemos tudo abraçados ao senso crítico! Não é possível as pessoas não verem: Essa zona precisa de ordem. Tudo bem ser uma bagunça, é estimulante, mas bagunça burra não dá. Parece até que essa zona não tem cafetão!
O mundo esta ficando pior debaixo de nossos narizes. E ninguém faz nada. Estão todos olhando o concurso da loira do Tchan. Tomara que ela vire uma baranga logo.
Escrito por Não é pra gostar às 01h05
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Quando eu descobrir o que é viver bem não vou querer saber de outra coisa.
Escrito por Não é pra gostar às 00h04
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Estou realmente cansado de ouvir pedidos. Que cultura do paternalismo nós temos! Eu sempre soube que as coisas funcionavam desse modo, mas sentir isso na pele é bem diferente!
"Aqui tá precisando de asfalto", "Se você conseguir grana pro meu projeto eu te apoio" e a clássica e mais comum: "Me arruma um emprego que eu tenho muitos votos". A pessoa não aguenta, sabe? Ficar fazendo favor pra todo mundo o tempo todo é não libertar essas pessoas desse clientelismo tenebroso.
Mesmo que eu pudesse eu fazia esses favores. E eu não posso, minha família (meu setor) não me ensinou desse jeito. Eu não tenho a menor vontade de agir assim e vai contra a minha consciência. É falso, por natureza. Tudo bem que eu não possa porque não tenho poder nenhum pra realizar esses pedidos, mas isso não vem ao caso. Estou discutindo o "se eu pudesse".
Uma vez ou outra a gente dá uma mão em algo que esteja ao nosso alcance e que seja aceitável, do ponto de vista ético. Mas estou convencido de vez que essa pessoalidade no mau sentido é uma das principais coisas que eu deveria combater.
Como? Eu ainda não sei...só tenho 24 anos, afinal de contas. Me perguntem de novo aos quarenta que eu respondo.
Escrito por Não é pra gostar às 23h08
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Ai, ai, ai...como as pessoas perdem oportunidades por conta dessa névoa constante, uma vertigem de sentimentos. Eles ludibriam os olhos, sopram mentiras aos ouvidos. Nos trazem certezas que se desmancham quando vão embora. Onde vai estar essa firmeza daqui a alguns meses? E onde vai se esconder essa resolução toda quando a luz se apagar e a porta fechar? As minhas vão estar no passado, estou irremediavelmente preso ao tempo. E o passado é lembrança da possibilidade, nunca uma possibilidade em si.
Quantos erros eu cometo por crer no que o coração fala? Posso ver claramente o erro alheio, como apontado acima, mas isso não me salva. Sentimento é coisa que passa, mas as decisões que tomamos por conta deles não vão embora com a mesma ligeireza.
O sentimento é foto, é registro de momento. Pode até vir em forma de álbum, diversos recortes, ser contínuo. Ele evolui ou morre, muda ou foge. Se esconde lá dentro ou vem em turbilhão. Repentino ou sereno, secreto, descoberto ou incógnito. Mas ele depende do hoje. Só nos influencia assim. Até a saudade precisa ser contemporânea pra que a gente se lembre.
As decisões que tomamos ficam. Elas é que compõe a teia assimétrica chamada de "nossa vida". O que no fundo torna a vida um perigo danado. E boa.
Escrito por Não é pra gostar às 03h30
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Só existe um sujeito que trabalha mais do que o vereador de esquerda: o candidato a vereador de esquerda.
Houve um boato de que capitão gancho passaria a ter o apoio dos ambientalistas e do Minc. Isso significaria que os meninos perdidos estariam mais perdidos do que gostam de estar, normalmente. Eu perdi noite de sono, passei ódio, raiva e sentimentos menos nobres ainda.
Um sujeito que dedica sua vida a perseguir uns meninos tão bonzinhos como nós merece o perdão e uma surra, pra deixar de ser incoveniente. Nocivo. Essa é a palavra que define capitão gancho e seus piratas. Não conseguíamos nem voar, de tão desanimados.
Atravessando o mar agitado em uma embarcação enorme, nossa aventura começou. Tudo bem, tudo bem, era somente a barca, mas deixa eu ter uma certa liberdade poética. Chegando ao castelo do Grão-duque do império judaico-ambiental, vulgo Carlos minc, fomos aceitos em uma audiência e tratados a pão de ló. Era só um boato, a aliança esta mantida. Descobrimos que mesmo agindo atrasados, estávamos atuando em tempo hábil para reverter a coisa toda. No fim, disse o tal de Minc: "Eu nem mesmo o receberei aqui".
Acho que Capitão Gancho vai ficar muito, muito furioso quando for lá de novo.
É tudo uma questão de "não vibrar na mesma onda dele".
De noite, Wendy costumava contar histórias aos meninos perdidos, em cordéis. Fica o registro.
Escrito por Não é pra gostar às 20h37
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Tem dias em que os passarinhos cantam, o mundo parece colorido, os sinos badalam...tudo é bom e generoso. Minha avó fala no meu ouvido, mas ao fundo uma música suave, que só existe dentro da minha cabeça toca baixinho. Sorriso bobo que teima em se hospedar no meu rosto. Eu redescobri meu papel, mesmo que só por algumas horas, na companhia do mar, da areia, do céu, de uma garrafa de Trivento e "deles"-os ET's, que existem sim e explodem o céu em luzes malucas. Eu era, de novo. Estava vivo e sentia cada minuto, como só conseguimos sentir quando ficamos com os olhos fixos no ponteiro do relógio, quando o minuto dura mais que sessenta segundos.
E eu fiquei assustado também. Intimidado, talvez. Eu não consegui atuar de maneira plena, me soltar totalmente, não consegui colocar tudo o que sentia pra fora, não demonstrei direito. Não fiz tudo o que tinha vontade. Eu continuo tendo sérios problemas para exteriorizar o que tenho aqui dentro. Mas isso é detalhe, pode ser entendido e reparado depois. No sentir eu estava, depois de muito tempo, completamente feliz. Inseguro como um menino de dez anos sobre o futuro e com muito mêdo. Quanto tempo tem que não sinto tão vivamente o mêdo? Nem lembrava direito do frio na barriga. Mas a insegurança era minha, era boa e estava lá, tornando tudo mais interessante ainda.
Não consigo explicar direito o que aconteceu ali. Surpreso, abobado, leso mas puta que o pariu, eu estava tão feliz! Nem lembrava que dava pra ser desse jeito.
A minha imagem voltou ao foco, durante um instante. E isso é gostoso demais. É gostoso demais.
Agora eu tenho que tomar esporro do Gilberto. Ele vai me achar cínico. Vou estar sorrindo o tempo todinho...
Escrito por Não é pra gostar às 13h16
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"Fulano era tão inexpressivo que sua pressão era 6 por meia-dúzia."
De onde é que eu tiro essas coisas?
Escrito por Não é pra gostar às 18h31
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Minha redação no vestibular, muitos anos atrás:
Refrigerante e circo
Nota-se ultimamente que avança sobre o espaço deixado pelo descrédito popular na política o marketing eleitoreiro desenfreado, comprometendo o sério e necessário debate sobre os rumos de nossa pátria coca-cola.
Saem espaços de discussão de idéias e propostas para a entrada de uma avalanche de “jingles”, camisetas, adesivos e comerciais multicoloridos que simplesmente não resolverão os graves problemas tupiniquins. Hoje, escolhe-se candidato com a mesma atenção com a qual se compra um refrigerante. Os critérios passam por tudo: embalagem, cheiro, cor, rótulo e até facilidade para digerir. Infelizmente, os critérios de “venda” só não passam por uma profunda e sensata análise de comprometimento com o público que, certamente, resultaria na eliminação de uma série de candidatos (e refrigerantes) do cenário nacional.
O que se espera da política é o profundo estudo ideológico de rumos e alternativas para este país de desdentados que também querem beber refrigerante enquanto assistem propagandas multicoloridas, mas que só podem, por enquanto esperar por políticos que tem tudo de seus similares enlatados, menos, é claro, o gás.
Redação de Leonardo Giordano (sala 3) no Vest. UFRJ/99
É mole?
Escrito por Não é pra gostar às 12h18
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Resolvi divulgar o blog para meus amigos.
Além de viado, agora estou ficando espalhafatoso...
Escrito por Não é pra gostar às 12h12
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Educativo

Disseram que o blog não tinha imagens, que estava muito sem gracinha. Pensei em colocar uma campanha educativa, afinal, esse blog pode ser visto por menores de idade.
Escrito por Não é pra gostar às 13h12
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Aniversário
Hoje é meu aniveresário! Faço 23 primaveras e 1/2. Dizem que a outra metade é perigosa, então vou ignorá-la. Eu descobri que não sei reagir bem sendo parabenizado o tempo todo por uma coisa que não fiz. Digo isso porque o aniversário é estranho: um dia do ano em que todos comemoram algo que não é um grande feito pessoal do comemorado. De qualquer forma, eu me senti muito acolhido e amado. Acho que é isso que importa no final das contas, né? Gosto dos meus amigos.
Escrito por Não é pra gostar às 12h11
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Dizem que o inferno esta cheio de boas intenções. Eu não sei se isso é verdade, especialmente crendo em um inferno esteriotipado, com direito a diabinhos, caldeirões, enxofre e fogo por todos os lados. Imagino ser difícil manter uma aparência bem intencionada em um lugar desses. De qualquer maneira, o ditado popular se refere ao logro: essa arte requintada de demonstrar o falso como se fosse verdade. O inferno esta cheio de boas intenções porque seus condôminos dificilmente admitiriam seus reais objetivos, uma vez perguntados.
A mentira tem muitas coisas a nos ensinar. Dizia Goebels, chefe da comunicação de Hitler que se repetida diversas vezes tornava-se em verdade. Mark Twain afirmava que existem apenas três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas. Gorki pensava que a mentira em diversos momentos exprime melhor que a verdade aquilo que se passa na alma. É interessante pesquisar a opinião dos outros sobre a mentira: geralmente não parece aborrecida enquanto não se entrevista o alvo a quem é dirigida. A mentira é necessária, faz parte da vida, é corriqueira. A mentira cruel não.
A mentira sempre me fascinou. Percebo que ela pode ser usada para motivos nobres, entendo o quanto ela é necessária, muitas vezes. Quem ousaria dizer ao moribundo esperançoso a proximidade do fim? Muitas vezes a mentira é benção. Em outras tantas ela nos motiva ao desafio de descobrir a verdade. A mentira é estranha, ela distorce a realidade objetiva uma vez que realidade objetiva é aquilo que cremos ser real, apenas.
Eu não sei mentir bem.
Se soubesse minha vida seria bem mais fácil. Ou pelo menos pareceria aos outros que é como eu gostaria que fosse.
Escrito por Não é pra gostar às 14h12
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Frase de um deputado federal da direita
Impressionante concordar plenamente com uma afirmação vinda dessa gente.
"Tenho pavor dos homens santos."
Eu também.
Escrito por Não é pra gostar às 09h31
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Pensamento do dia
Se a vida é uma louca corrida rumo à inevitável morte...
Por que esse povo todo quer sempre chegar em primeiro lugar?
Ou pior...por que eu também corro?
Escrito por Não é pra gostar às 22h14
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Saudações!
Bom, esta é a primeira mensagem do blog. Toda primeira vez é um marco. Pergunte a uma mulher sexualmente experiente ou a qualquer sujeito que tenha sido atropelado.
Sempre achei essa coisa de blog uma viadagem danada. Para se ter uma idéia do meu desconhecimento na área, acabo de escrever um palavrão e não sei se as regras permitem isso. Haveria um departamento censor nestes provedores? Será que vão tirar esse blog do ar por conta dos repetidos termos de baixo calão? Repetidos ainda não, mas quero dizer, potencialmente repetidos. Vamos descobrir. Mas eu não abro mão de escrever palavrão. Eles expressam sentimentos. Existem poucas coisas mais claras que um: "Fulano é um filho da puta" ou "Vá a merda". Eu acho que existem palavrões que não podem ser substituídos por eufemismos. E eufemismos dificilmente podem ser substituídos por palavrões, por sua vez. É tudo uma questão de por as coisas nos seus lugares. E existem lugares apropriados para uma boca suja.
Já pensou o sujeito na cama com a mulher e no auge da coisa toda ele se vira e diz: "Querida, posso apertar suas nádegas?". Sinceramente. Por isso esta decidido: aqui vai ter palavrão sim! Para que não seja mais ridículo o conteúdo do que o fato de ter um blog. Missão difícil, naturalmente.
Eu dizia que ter um blog é uma viadagem. Sempre achei isso. O que me motiva é a crise pela qual passo. Não sei bem onde ela começa e onde termina, suas formas e razões. Mas sei que é uma crise. E aconselhado por muitos a procurar um analista decidi que entre esta viadagem e a outra, fico com a mais barata. Tomara que isso me ajude no processo de auto-descoberta e externalização do meu eu interior...tá vendo? Esse papinho já esta começando a me deixar meio estranho...
Beijos e bem vindos
Escrito por Não é pra gostar às 16h35
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